Criou-se a narrativa nesta Copa de que, ao mesmo tempo que a Seleção Brasileira é um catado, grupos como França e Argentina são quase invencíveis, intocáveis. Já vi os compararem ao Brasil de 70, à Holanda de Cruyff e tudo o mais.
Que tais seleções possuem qualidade, isso é claro. Mas que são imbatíveis e devemos tremer de medo diante delas? Vá.
O Brasil tem uma camisa tão pesada que até mesmo o jogador mais ou menos pode, numa noite inspirada pelos ancestrais da amarelinha que o acompanham em campo, ter uma apresentação de gala com ares de gênio. Chegará o dia em que o Brasil não precisará nem mesmo entrar em campo — bastará a camisa.
Mas com seleções menos abastadas não é assim. Precisam de um grande plantel, um grande técnico e um bocado de sorte para vencer. Foi assim com França e Argentina em 18 e 22. Mas não parece ser agora.
A Argentina (reforço: ajudada pela arbitragem em todos os jogos até agora) está com um time mais velho, cansado fisicamente, sem pontas. E que não havia sido testado até o último jogo.
Enquanto os falsos brasileiros se regozijavam com os inúmeros gols de Messi em seleções como Áustria e Jordânia, a farsa ainda se mantinha. Mas, veio Cabo Verde e seu time organizado, honesto e cheio de raça, com seu goleiro Vozinha que desafia o tempo, e as máscaras caíram, o macaco foi pego com a mão na cumbuca.
Algo semelhante aconteceu com a França. Ouvia-se que eles jogavam de forma tão bonita quanto a Seleção de 70. Seus jogadores eram quase Jairzinhos, Garrinchas, Pelés. E estes mesmos franceses, assim que viram Paraguai e seu ônibus estacionado, logo perderam a beleza de seu jogo, a sua tática inigualável.
Partiram para a boa e velha porradaria (la bendita Libertadores!), fizeram mais faltas e levaram mais cartões que os paraguaios — e, num lapso de um zagueiro, ganharam um pênalti, fizeram um gol e passaram.
Se o Brasil mantiver a toada ancelottiana de crescimento, a vitória é mais do que possível. Como já disse, estamos em um caminho mais fácil do que aquele que estivemos em 10, 14, 18 ou 22 — veremos se irá se concretizar.
