CONTRA A ESPERTEZA JORNALÍSTICA

Comecei a sequência de comentários que fiz nessa Copa falando do Messi e termino falando sobre ele, mas apenas como pretexto, dessa vez, para um assunto muito mais elevado, em muito superior: Edson Arantes do Nascimento.

É corriqueiro, por parte de determinados jornalistas da imprensa nacional, a tentativa (pra não dizer a ânsia) de querer relativizar o posto do Rei. Na primeira oportunidade que têm, estão lá: “ah, mas em 62 ele praticamente não jogou”; “ah, mas ele não foi tão longevo”; “ah, mas o futebol de épocas passadas não exigia tanto”; “ah, mas isso mas aquilo”.

(Como se cada uma das objeções que fazem não fossem perfeitamente respondíveis, como se fossem verdades axiomáticas, como se não fossem puro anacronismo falacioso. Como se ganhar uma Copa do Mundo — nem digo três — fosse algo trivial, fácil de se conseguir).

O melancólico final de Lionel Messi em sua passagem por Copas, num jogo em que não apenas ele, mas o seu time inteiro, não conseguiu dar um mísero chute, um único sequer, em direção ao gol, apenas reafirma a regra.

Messi é um gênio absoluto, daqueles inexplicáveis, daqueles que não cabem em palavras. A questão não é diminuir a sua grandeza, o seu legado. Messi é um marco incontornável na história do futebol, e será lembrado assim.

Dito isso, não existe comparação mínima, comparação sequer aceitável, entre o que significa o Lionel pra história do futebol e o que significa o nosso Pelé. E isso é uma obviedade, uma obviedade ululante — não carece de justificativa: se impõe, se afirma por conta própria, e apenas.

O próprio Messi sabe disso, e certamente concordaria — como Mbappé concorda, como o presidente dos Estados Unidos concorda, como qualquer pessoa capaz de somar 2 com 2 concorda.

Mas pro jornalista espertinho brasileiro, antenado nas novidades universais, conectado com o que há de mais recente acontecendo em Nova York, Barcelona ou em Paris — pra ele, não: “devemos problematizar os nossos mitos!”.

O futebol só é o que é, só tem a dimensão que tem, por causa de um homem capaz de parar guerras. O resto é espuma.

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