A obsessão ideológica é o assunto principal de quem não se interessa por coisa nenhuma.
Em jogos da copa, raramente justifiquei uma torcida com motivos políticos. Bem, somos livres. É triste ver alguém abdicando das poucas coisas que podemos escolher na vida para pensar a partir de blocos de pensamento.
O talento, o grande talento, vem de qualquer lugar, de qualquer classe, de qualquer história de vida. Quem gosta de futebol não pode torcer por outro tipo de argumento, que não seja o do talento definitivo, máximo. O talento máximo, via de regra, encerra qualquer briga.
Não importa a iconoclastia de um Diego Armando Maradona, ou sua tatuagem de Che Guevara, ou sua rivalidade com o atleta maior do século. Em vídeos em que ele dribla meia seleção adversária, tudo isso se torna menor. Seus defeitos viram uma espécie de charme.
Mas a ocupação primordial dos que não gostam de futebol, nesse mundial, foi arrumar razões para desprezar talentos máximos.
Um Neymar em péssima fase jamais fez nada de notável porque votou em quem bem sabemos. A Argentina, por representar um país com pessoas racistas, como há em todos, virou uma seleção representante de todo racismo do mundo. Seleções africanas cumprindo tabela, mesmo que entregassem ocasionalmente boas partidas, eram as preferidas para vencerem.
O identitarismo domina toda a cultura. É bonito ver como em partidas ele decide muito pouco. Para os que gostam mais de futebol do que de ideologia, o talento máximo foi a força vital para tornar tudo emocionante e divertido. Olise, Vini Jr, Bellingham, Mbappé, Ronaldo, e talvez o maior nome de uma geração, Lionel Messi.
Agradecemos a eles, inclusive pelos defeitos. A copa não é um filme da Disney. É um Western que, sem o contraponto amoral, perde muito. Precisamos dos embates, dos gritos, e dos puxões, para alternar com os gols irretocáveis e líricos.
Que tratemos de defender uma copa repleta de som e fúria, ou os obcecados por ideologia tratarão de destruir tudo.
