Messi é completamente sem sentido. Não são só os gols, é tudo o que faz. Os passes que dá, a forma como caminha e como corre, a naturalidade com que resolve as coisas, a forma como pensa, etc.
Tudo nele não tem sentido nem explicação, como as coisas importantes realmente — que relutam em se fazer palavra, em caber no verbo, mas que cabem com facilidade no apertado espaço do coração.
Eu nunca gostei muito da Argentina, e até hoje não gosto, mas sempre gostei do idioma espanhol. Ainda que o meu fascínio seja mesmo pelo português, nenhuma língua me soa mais naturalmente terna do que a espanhola.
Muitas línguas me soam musicais, mas o espanhol, além de música, tem algo de pluma, algo de afeto, algo de ternura — não de forma ocasional, mas como se essa fosse a sua própria natureza.
Messi é assim, um pouco como a sua língua: dança, quietude, rapidez, serenidade.
Aos 39 anos, ele não simplesmente entra em campo em mais uma Copa. Ele entra em campo, marca 3 gols e pratica o jogo espetáculo, com o mesmo peso que o vento exerce sobre uma criança que brinca no parque: nenhum — relembrando ao mundo de que tê-lo vivo é um privilégio.
Faz de um simples passe, ou de um movimento de corpo, ainda que distante da bola, motivo para um espanto. Faz alguém de muito longe, do seu país rival, o vendo pela TV, levantar do sofá e aplaudi-lo em pé ao sair de campo.
Eu pude ver muitos jogadores geniais, sendo o Neymar o mais impressionante deles entre os brasileiros, mas pouquíssimas coisas são como as que vi ontem.
Dito tudo isso, continuarei torcendo contra. Mas agradecido. Extremamente.
