Eu tava muito confiante de que ganharíamos. Muito mesmo. Não pela bola, pela qualidade do futebol, por ser a Seleção melhor do que as outras — porque não é e porque, em boa parte dos nossos trunfos, também não era.
Copa do Mundo normalmente não se resolve assim, com os melhores ganhando dos piores, com o futebol mais bem jogado vencendo. Excepcionalmente acontece, mas a regra não é essa. Existe uma dimensão muito forte de sobrenatural nesse torneio.
A minha confiança era uma confiança nisso — na mística, na possibilidade da impossibilidade, na tempestade aparentemente perfeita que parecia se desenhar ao nosso favor.
Acontece que a mística, dessa vez, como se mostrou, nos era na verdade contrária. Não existe outra explicação que não essa, que não a palavra destino, para uma sequência inexplicável de erros como os ocorridos ontem.
O pênalti perdido, os gols perdidos, as finalizações perdidas, os posicionamentos perdidos, tudo.
É verdade que teve muita apatia, irresponsabilidade e incapacidade. É verdade. Mas mais verdade do que isso é que simplesmente não era pra ser. Não ainda, pelo menos.
Não tinha como o Endrick acertar aquele chute e nem o Bruno aquele pênalti. Assim como não tinha como o Casemiro ter tocado aquela bola, pro Vini ou pro Neymar, sozinhos e embaixo do gol, ao invés de dar um chute cruzado completamente sem sentido. Muito menos aquela bola rebatida, inexplicável, ter coberto o goleiro.
Se tem uma briga que não compensa ter, é essa: a briga contra o destino —que é sempre fatal, severo e implacável.
Eu sinto pelo Neymar? Até sinto. Mas sinto muito mais por Douglas Santos, pelo Vinicius e pelo Bruno. Pelo Matheus Cunha, pelo Rayan, pelo Magalhães e pelo Endrick também.
Não sinto pela geração dos fracassos, a geração que nunca pareceu (com exceção talvez do próprio Neymar) querer realmente, a geração da displicência e do descompromisso. Sinto pela geração nascente, uma geração imperfeita mas que claramente quer, uma geração que sente.
Por eles eu sinto, e por eles torcerei novamente mais a frente. Contando mais uma vez com o abraço, nunca garantido, e com as mãos estendidas do destino.
